Destino – Matched – Ally Condie
Editora: Suma de Letras
Autora: Ally Condie
Ano: 2012
Edição: 1
Número de páginas: 240
Essa será minha primeira resenha de livro e confesso que terei que me policiar ao máximo para não contar muitos spoilers (tarefa árdua para alguém que adora dar spoilers, rsrs). Ganhei o livro Destino de presente da minha amiga Karlinha e devo dizer que foi o primeiro livro que li às cegas, sem nem ao menos ler a sinopse, ou seja, não tinha a menor ideia sobre o que se tratava a história.
Antes de começar a falar da história, quero mencionar alguns ideais utópicos que as pessoas sempre almejam, mas nunca pararam realmente para pensar em como seria se a maioria dessas utopias se tornasse realidade. Imaginem um mundo perfeito, onde não houvesse mais desigualdade social, onde não houvesse mais doenças e as pessoas morressem apenas de velhice, onde não houvesse mais sofrimento ou desilusões amorosas, onde as pessoas não teriam que ficar indecisas sobre qual profissão escolher, onde não houvesse mais crimes, enfim, um mundo assim seria realmente perfeito, certo? Talvez não...
Esse é o mundo em que Cassia, a protagonista da história, vive. Em um futuro onde o mundo é governado pela Sociedade (devo dizer que a “Sociedade” mencionada aqui, não é o povo e sim como o governo se autodenomina), todos tem o mesmo padrão de vida, ou seja, ninguém é pobre ou rico, todos morrem de velhice aos 80 anos, pois a Sociedade através da ciência e muitas pesquisas chegou a conclusão que é a idade ideal para se morrer, pois ainda se está plenamente saudável e dono de suas faculdades mentais, também não há mais doenças, já que a sociedade erradicou todas elas, também não há mais divórcios, já que a Sociedade através do estudo da genética é capaz de determinar o seu par perfeito, assim como também não há crimes ou violência, o mundo vive em uma perfeita harmonia...
Infelizmente tudo na vida tem o seu lado bom e seu lado ruim. A igualdade social aqui é levada ao extremo, pois todos devem vestir exatamente a mesma roupa, com poucas variedades até mesmo de cores. Imaginem como seria não poder expressar sua individualidade? Todos morrem aos 80 anos de forma natural, seria mesmo mentalmente saudável saber quando iremos morrer? Não há mais doenças, mas qual é o preço disso? Significa que toda a sua alimentação e até sua quantidade é rigorosamente controlada. Se a Sociedade, por exemplo, acha que uma pessoa está um grama acima do peso, isso significa que não fará bem a saúde e a quantidade de comida é imediatamente diminuída. A Sociedade também determina o esporte ideal de acordo com o gene de cada um para mantê-lo sempre saudável. Já imaginaram ter que praticar um esporte que você detesta sem ter uma opção? O estresse também faz mal a saúde, consequentemente cada um deve trabalhar na profissão que lhe é mais adequada de acordo com sua aptidão genética, ou seja, a Sociedade também determina o trabalho de cada um para o resto de sua vida. São mesmos pequenos sacrifícios em troca de uma vida mais duradoura e saudável?
Não há mais divórcios, a Sociedade também determina seu par perfeito, aquele com que tem mais afinidade de acordo com seu perfil psicológico e também aquele que lhe dará filhos geneticamente perfeitos. Seria mesmo maravilhoso não ter decepções amorosas? Não errar e não se apaixonar até mesmo pelos defeitos da sua cara metade? Seria mesmo ideal se casar com alguém perfeito? Ter filhos perfeitos?
Ok, debates utópicos a parte, vamos ao livro. A história começa com Cassia, aos seus 17 anos, em seu Banquete do Par. É um dia especial na vida de todos os adolescentes que completam 17 anos, pois é no Banquete do Par que cada um saberá quem é seu par, aquele que ficará ao seu lado para o resto da vida. Cássia está ansiosa, mas também feliz, além de se sentir especialmente bonita, já que no Banquete do Par é única ocasião que ela pode usar um vestido (dentro das opções que a Sociedade oferece) e até mesmo pode escolher a cor. Ela vai até a prefeitura, local do Banquete, apenas com seus pais, os únicos que tem permissão para acompanhá-la. Finalmente chega o tão esperado momento e ela saberá, através de uma imensa tela, quem é o seu Par, que pode estar em qualquer Província do mundo. Cássia está nervosa e aperta em suas mãos o pó compacto com espelhinho que ganhou de seu avô. Todos devem viver em igualdade, ter exatamente as mesmas posses, então é raro ter permissão para ter um Artefato (como são chamados objetos do passado) e ela se sente segura com o presente que recebeu em suas mãos. Para a total surpresa de Cassia, um caso raríssimo acontece, a tela não mostra imagem nenhuma, o que só pode significar uma coisa: o Par de Cassia está no mesmo Banquete que ela. Para sua extrema alegria, a anfitriã da prefeitura anuncia que seu Par é Xander, seu melhor amigo desde a infância, aquele que a conhece melhor do que todos, assim como ela também o conhece. É alguém que ela confia e sempre a faz sorrir. Seus pais também ficam felizes, pois apesar de confiarem na Sociedade, se sentem mais tranquilos por não terem que entregar a sua filha a um estranho do outro lado do mundo. Xander também está feliz e sorri para ela, ambos recebem uma caixinha de prata com o micro cartão com informações de seu Par, mas ao contrário de todos no Banquete, eles não precisam dessas informações, já sabem tudo um sobre o outro, são mesmo perfeitos um para o outro. O Banquete acaba e todos voltam para casa, apesar da alegria, devem dormir, já está na hora de Recolher e Cassia está feliz de não ser sua vez de ter seu sono monitorado, afinal, provavelmente irá sonhar com Xander, pois pela primeira vez na vida lhe é permitido sonhar com ele.
Cada pessoa deve carregar sempre consigo três comprimidos de emergência: um azul, um verde e um vermelho. O azul permite que uma pessoa sobreviva sem comer por vários dias, o verde que ajuda na ansiedade e o vermelho que ninguém sabe sua real utilidade. Mas Cassia se orgulha de nunca ter tomado o comprimido verde, pois assim como seu avô a ensinou, ela é forte e sabe controlar suas ansiedades.
Cassia acaba se lembrando de olhar o micro cartão apenas por mera curiosidade em saber como a Sociedade descreve Xander. Ao inserir o micro cartão no computador, o rosto lindo e sorridente de Xander aparece na tela, mas ao clicar nas palavras “Orientações de Namoro”, a imagem da tela desaparece. Há um bipe e uma voz na tela anuncia: A Sociedade tem o prazer de apresentar o seu Par. Entretanto, não é o rosto de Xander que aparece. Cássia fica assustada, afinal a Sociedade não comete erros. Além do mais, ela também conhece o outro rosto, é Ky, um garoto que faz questão de não ser notado. Alguém tímido de olhar triste...
Pessoal, juro que apesar de eu ter escrito muito, falei apenas do comecinho da história. Tenho que confessar que no começo a personagem principal me irritava. Pela forma como ela é narrada, temos a impressão de que se trata de uma menina de uns 11 anos de idade e eu não conseguia assimilar que uma garota de 17 anos pudesse ter uma forma de pensar como a dela. Mas então compreendi que se qualquer pessoa fosse criada em uma redoma de vidro, em um mundo tão perfeito, seria tão ingênua e pura em seus pensamentos quanto a Cassia. Teria a mesma confiança cega que ela tem na Sociedade. Ela foi criada para não questionar e simplesmente aceitar tudo que a Sociedade diz ser certo. Gostei muito de acompanhar o crescimento da personagem, de vê-la dar passos que para nós podem parecer bobos e até mesmo insignificantes, mas que seriam verdadeiros obstáculos a serem superados se nos privassem do direito da escolha.
Resumindo, gostei muito do livro e sinceramente recomendo. Destino será uma triologia e seu segundo livro, “Crossed” (ainda sem tradução para o português) foi lançado nos EUA no dia 11 de Novembro de 2011. A Disney já comprou os direitos autorais da triologia para uma adaptação cinematográfica, mas ainda não anunciou a data de inicio das filmagens.
Agradeço a Karlinha por ter me dado esse presente que adorei. Obrigada amiga.
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Editora: Suma de Letras
Autora: Ally Condie
Ano: 2012
Edição: 1
Número de páginas: 240
Essa será minha primeira resenha de livro e confesso que terei que me policiar ao máximo para não contar muitos spoilers (tarefa árdua para alguém que adora dar spoilers, rsrs). Ganhei o livro Destino de presente da minha amiga Karlinha e devo dizer que foi o primeiro livro que li às cegas, sem nem ao menos ler a sinopse, ou seja, não tinha a menor ideia sobre o que se tratava a história.
Antes de começar a falar da história, quero mencionar alguns ideais utópicos que as pessoas sempre almejam, mas nunca pararam realmente para pensar em como seria se a maioria dessas utopias se tornasse realidade. Imaginem um mundo perfeito, onde não houvesse mais desigualdade social, onde não houvesse mais doenças e as pessoas morressem apenas de velhice, onde não houvesse mais sofrimento ou desilusões amorosas, onde as pessoas não teriam que ficar indecisas sobre qual profissão escolher, onde não houvesse mais crimes, enfim, um mundo assim seria realmente perfeito, certo? Talvez não...
Esse é o mundo em que Cassia, a protagonista da história, vive. Em um futuro onde o mundo é governado pela Sociedade (devo dizer que a “Sociedade” mencionada aqui, não é o povo e sim como o governo se autodenomina), todos tem o mesmo padrão de vida, ou seja, ninguém é pobre ou rico, todos morrem de velhice aos 80 anos, pois a Sociedade através da ciência e muitas pesquisas chegou a conclusão que é a idade ideal para se morrer, pois ainda se está plenamente saudável e dono de suas faculdades mentais, também não há mais doenças, já que a sociedade erradicou todas elas, também não há mais divórcios, já que a Sociedade através do estudo da genética é capaz de determinar o seu par perfeito, assim como também não há crimes ou violência, o mundo vive em uma perfeita harmonia...
Infelizmente tudo na vida tem o seu lado bom e seu lado ruim. A igualdade social aqui é levada ao extremo, pois todos devem vestir exatamente a mesma roupa, com poucas variedades até mesmo de cores. Imaginem como seria não poder expressar sua individualidade? Todos morrem aos 80 anos de forma natural, seria mesmo mentalmente saudável saber quando iremos morrer? Não há mais doenças, mas qual é o preço disso? Significa que toda a sua alimentação e até sua quantidade é rigorosamente controlada. Se a Sociedade, por exemplo, acha que uma pessoa está um grama acima do peso, isso significa que não fará bem a saúde e a quantidade de comida é imediatamente diminuída. A Sociedade também determina o esporte ideal de acordo com o gene de cada um para mantê-lo sempre saudável. Já imaginaram ter que praticar um esporte que você detesta sem ter uma opção? O estresse também faz mal a saúde, consequentemente cada um deve trabalhar na profissão que lhe é mais adequada de acordo com sua aptidão genética, ou seja, a Sociedade também determina o trabalho de cada um para o resto de sua vida. São mesmos pequenos sacrifícios em troca de uma vida mais duradoura e saudável?
Não há mais divórcios, a Sociedade também determina seu par perfeito, aquele com que tem mais afinidade de acordo com seu perfil psicológico e também aquele que lhe dará filhos geneticamente perfeitos. Seria mesmo maravilhoso não ter decepções amorosas? Não errar e não se apaixonar até mesmo pelos defeitos da sua cara metade? Seria mesmo ideal se casar com alguém perfeito? Ter filhos perfeitos?
Ok, debates utópicos a parte, vamos ao livro. A história começa com Cassia, aos seus 17 anos, em seu Banquete do Par. É um dia especial na vida de todos os adolescentes que completam 17 anos, pois é no Banquete do Par que cada um saberá quem é seu par, aquele que ficará ao seu lado para o resto da vida. Cássia está ansiosa, mas também feliz, além de se sentir especialmente bonita, já que no Banquete do Par é única ocasião que ela pode usar um vestido (dentro das opções que a Sociedade oferece) e até mesmo pode escolher a cor. Ela vai até a prefeitura, local do Banquete, apenas com seus pais, os únicos que tem permissão para acompanhá-la. Finalmente chega o tão esperado momento e ela saberá, através de uma imensa tela, quem é o seu Par, que pode estar em qualquer Província do mundo. Cássia está nervosa e aperta em suas mãos o pó compacto com espelhinho que ganhou de seu avô. Todos devem viver em igualdade, ter exatamente as mesmas posses, então é raro ter permissão para ter um Artefato (como são chamados objetos do passado) e ela se sente segura com o presente que recebeu em suas mãos. Para a total surpresa de Cassia, um caso raríssimo acontece, a tela não mostra imagem nenhuma, o que só pode significar uma coisa: o Par de Cassia está no mesmo Banquete que ela. Para sua extrema alegria, a anfitriã da prefeitura anuncia que seu Par é Xander, seu melhor amigo desde a infância, aquele que a conhece melhor do que todos, assim como ela também o conhece. É alguém que ela confia e sempre a faz sorrir. Seus pais também ficam felizes, pois apesar de confiarem na Sociedade, se sentem mais tranquilos por não terem que entregar a sua filha a um estranho do outro lado do mundo. Xander também está feliz e sorri para ela, ambos recebem uma caixinha de prata com o micro cartão com informações de seu Par, mas ao contrário de todos no Banquete, eles não precisam dessas informações, já sabem tudo um sobre o outro, são mesmo perfeitos um para o outro. O Banquete acaba e todos voltam para casa, apesar da alegria, devem dormir, já está na hora de Recolher e Cassia está feliz de não ser sua vez de ter seu sono monitorado, afinal, provavelmente irá sonhar com Xander, pois pela primeira vez na vida lhe é permitido sonhar com ele.
Cada pessoa deve carregar sempre consigo três comprimidos de emergência: um azul, um verde e um vermelho. O azul permite que uma pessoa sobreviva sem comer por vários dias, o verde que ajuda na ansiedade e o vermelho que ninguém sabe sua real utilidade. Mas Cassia se orgulha de nunca ter tomado o comprimido verde, pois assim como seu avô a ensinou, ela é forte e sabe controlar suas ansiedades.
Cassia acaba se lembrando de olhar o micro cartão apenas por mera curiosidade em saber como a Sociedade descreve Xander. Ao inserir o micro cartão no computador, o rosto lindo e sorridente de Xander aparece na tela, mas ao clicar nas palavras “Orientações de Namoro”, a imagem da tela desaparece. Há um bipe e uma voz na tela anuncia: A Sociedade tem o prazer de apresentar o seu Par. Entretanto, não é o rosto de Xander que aparece. Cássia fica assustada, afinal a Sociedade não comete erros. Além do mais, ela também conhece o outro rosto, é Ky, um garoto que faz questão de não ser notado. Alguém tímido de olhar triste...
Pessoal, juro que apesar de eu ter escrito muito, falei apenas do comecinho da história. Tenho que confessar que no começo a personagem principal me irritava. Pela forma como ela é narrada, temos a impressão de que se trata de uma menina de uns 11 anos de idade e eu não conseguia assimilar que uma garota de 17 anos pudesse ter uma forma de pensar como a dela. Mas então compreendi que se qualquer pessoa fosse criada em uma redoma de vidro, em um mundo tão perfeito, seria tão ingênua e pura em seus pensamentos quanto a Cassia. Teria a mesma confiança cega que ela tem na Sociedade. Ela foi criada para não questionar e simplesmente aceitar tudo que a Sociedade diz ser certo. Gostei muito de acompanhar o crescimento da personagem, de vê-la dar passos que para nós podem parecer bobos e até mesmo insignificantes, mas que seriam verdadeiros obstáculos a serem superados se nos privassem do direito da escolha.
Resumindo, gostei muito do livro e sinceramente recomendo. Destino será uma triologia e seu segundo livro, “Crossed” (ainda sem tradução para o português) foi lançado nos EUA no dia 11 de Novembro de 2011. A Disney já comprou os direitos autorais da triologia para uma adaptação cinematográfica, mas ainda não anunciou a data de inicio das filmagens.
Agradeço a Karlinha por ter me dado esse presente que adorei. Obrigada amiga.






